sábado, 31 de outubro de 2015

Flagras "de-espero"

Eis aqui alguns flagras registrados hoje quando pedalava em direção ao Cais do Remanso Velho (cidade tragicamente inundada pelo ambicioso projeto hidroelétrico da CHESF, quando construiu o Lago do Sobradinho - até pouco tempo atrás, o maior lago artificial, em espelho d'água, do mundo - não que devamos ter orgulho disso, mas que possamos refletir...)
O que me chama atenção é vastidão do nada que emerge. Ao chegar na beira do cais, a ventania me balançava e lançava areia, me impedindo de enxergar direito. Fiquei a meditar sobre aquele deserto... Será esse o destino disso tudo? Será aqui o começo da cova do Velho Chico? 
Ainda no pedal, via os carros pipas passando... uma trava do cano de água aparentemente sem uso e um novilho morto, apodrecido e sendo comido por outros bichos. 
Via ainda caminhões pipas passando para um lado e outro. Dizem que a despesa com o combustível está altíssima para a prefeitura (não só em relação aos caminhões, mas também no que diz respeito a bomba que draga água, cada vez mais longe, para abastecer a cidade de Remanso).
Uma garrafa plástica de água mineral na beira da estrada me chamou atenção. A água presa, engarrafada, pura, límpida, mas presa, não disponível... Um anúncio, um sinal, do comércio da água? Um alerta do que estar por vir, ou seja, a privatização desse bem humano?
Ao lado de tamanha "devastação" havia traços do nosso tempo: lixo. Lixo em plásticos, em sacos, embalagens coloridas e cintilantes, mesmo que já desbotadas pela ação do sol, revelam o modus operandi de uma civilização. Fico a imaginar cientistas arqueólogos desvendado os segredos do nosso tempo ao reencontrar tais vestígios a mil anos lá frente. O que diriam? Como nos avaliariam? O que pensariam do nosso modo de vida?
Flagras de morte, de réstias de vida resistindo, de desesperos, de espero, de esperanças.. quiçá! Teremos ainda tempo?





























sexta-feira, 23 de outubro de 2015

O São Francisco tem data marcada para morrer: fim de novembro

O Operador Nacional do Sistema (ONS) de energia no País deu o alerta: o reservatório de Sobradinho, que está com pouco mais de 5% da capacidade, deve entrar no volume morto no final de novembro. Isso significa que o rio vai cortar, interrompendo seu tênue fluxo d’água.
Um total de R$ 529 mil foi autorizado nesta quarta-feira (21) pela Secretaria de Infraestrutura Hídrica e Saneamento (SIHS) para dar início às ações de apoio aos municípios localizados às margens do Lago da Barragem de Sobradinho. Os recursos são destinados para a aquisição de equipamentos, identificação de pontos de captação de água e intervenções emergenciais em pequenos sistemas de abastecimento nas sedes municipais e seus distritos.
O diagnóstico emergencial já foi feito nas cidades de Barra, Bom Jesus da Lapa, Carinhanha, Casa Nova, Curaçá, Juazeiro, Paratinga, Pilão Arcado, Rodelas, Remanso, Sento Sé, Serra do Ramalho, Sítio do Mato, Sobradinho e Xique-Xique.  O Lago de Sobradinho se encontra hoje com 5,59% do seu volume útil de armazenamento. 
A previsão de chegada ao volume morto é no final do mês de novembro, quando o nível da água alcançará 5,45 bilhões de metros cúbicos, suficiente para garantir o abastecimento de água para consumo humano por mais 3 meses, até o retorno do período de chuvas.


Matéria extraída em 23/10/2015 no https://jornaloexpresso.wordpress.com/2015/10/22/o-sao-francisco-tem-data-marcada-para-morrer-fim-de-novembro/

O que será do Centro de Petrolina...



By André Luiz 

Para muitos, a história é construída a partir da destruição do passado pela construção do presente. Digamos uma destruição criativa, que por vezes, pelo menos penso eu, só é criativa no sentido de criar, ou criar novamente, longe do sentido de criatividade e, em muitos casos, anos luz distante de uma lógica Humana, que preze pelo bem viver de uma sociedade justa. Parece-me que é nesta perspectiva, que a história do Centro de Petrolina vem sendo ré criada. 

Dentre os seus marcos fronteiriços, do Viaduto Barranqueiro ao Monumento da besteira, da Orla ao Campo de Aviação, Da Av. Monsenhor Ângelo Sampaio à Av. das Nações, o Centro é um Bairro que sempre domiciliou Comércios _desde Cebola à Autopeças, passando pelas febres comerciais das óticas, farmácias, 1,99, móveis, roupas, shoppings, e etc_ Serviços_ saúde, jurídicos, educacionais, alimentação_ Lazer, com destaque para o estádio da Associação Rural de Petrolina e a Concha Acústica, e, principalmente, residências, inclusive, a grande maioria, dos locais onde hoje estão instalados algum tipo de comércio ou serviço no Centro de Petrolina um dia já foi uma residência, diga-se de passagem que muitas delas com composições estéticas belíssimas que guardavam e, em alguns casos, conservavam os estilos arquitetônicos de suas épocas, que vêm sendo destruídos ao longo dos anos, com enfase nos últimos vinte anos, pela construção da história, uma triste história. Todavia, vale ressaltar que a história não é resultado de uma ação do destino e sim de uma ação humana ou, em muitos casos, desumana. 

No Centro de Petrolina a ação humana, que, a meu ver, deveria ser planejada, comandada, orientada, coordenada e controlada pelo poder público em prol do bem viver de uma sociedade justa, vem sendo norteada pura e simplesmente pelas lógicas do individualismo, da competição, da ganância, da indiferença e, o que é pior, da insustentabilidade, das quais, infelizmente, parecem ser mais poderosas do que o poder público e até mesmo da lógica do bem viver. 

Penso eu que somente a movimentação daqueles que acreditam que estas lógicas, ou força que a soma delas resultam, são totalmente insuficientes para propiciar uma sociedade justa e que tenha, de direito e de fato, as oportunidades de vivenciarem uma vida bem vivida. Este Movimento poderá mudar o pensamento de pessoas e, ou inserir outras pessoas, com pensamentos de criação criativa, nas arenas de decisões, nas quais são definidas as ações humanas que podem construir uma história mais feliz para o Centro de Petrolina. 

Movimento Pela Vida do Centro.



segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Vamos nadar num Rio ou na merda...

Por André Luiz

problema das Baronesas na margem do Rio São Francisco na cidade de Petrolina, se é que as Baronesas são um problema, é reflexo do aumento da produção e lançamento diretos e indiretos de esgotos domésticos nas águas do Rio São Francisco, que por sua vez é umaconsequência do crescimento desordenado da população da Cidade de Petrolinadiga-se de passagemtrês vezes maior que a média estadualnacionalcom destaque para verticalização do Centro da Cidadeprincipalmenteem sua Orla.
quantidade de esgoto produzida é resultado do produto de uma conta simples, basta multiplicar a quantidade de esgoto doméstico produzido porcada habitante vezes a quantidade de habitantes da população de Petrolina.
Uma única pessoa produz em média 160 litros de esgoto doméstico por dia, que totalizam 58.400 (cinquenta e oito mil e quatrocentoslitros de esgoto doméstico por ano, dos quais 1.168 (ummil e cento e sessenta e oitolitros são de fezes, 1.752 (um mil e setecentos e cinquenta e dois) são de urina e os outros 55.480 (cinquenta e cinco e quatrocentos e oitentalitros são de águasoriundas dos banhospias e tanques.
Segundo estimativas do IBGE a população de Petrolina em 2014 foi de 326.017 (trezentos e vinte e seis mil e dezessete) habitantes, dos quais 243.120 (duzentos e quarenta e três mil e cento e vente) residem na zona urbanapopulação estaque será utilizada no cálculo abaixo. Vale ressaltar que a apresentação dos números porextenso é tão somente para não restar dúvidassobre a quantidade de esgoto doméstico que produzimos.
Nessa perspectivamultiplicando 58.400 (produção por habitante anual de esgotodomésticovezes 243.120 (tamanho da população urbana de Petrolina), estima-se que a cidade de Petrolina produz em média 14.198.208.000 (quatorze bilhões e cento e noventa e oito milhões e duzentos e oito mil) litrosde esgoto doméstico por ano, dos quais 17.747.760 (dezessete milhões e setecentos e quarenta e sete mil e setecentos e sessentalitrossão de fezes e outros 26.601.640 (vinte e seismilhões e seiscentos e um mil e seiscentos e quarentalitros são de urina e outros14.153.838.600 (quatorze bilhões e cento e cinquenta e três milhões e oitocentos e trinta e oito mil e seiscentoslitros são de águas poluídas.
É público e notório que parte destes esgotos sãolançados nas águas do Rio São Francisco totalmente in naturaprincipalmente os que sãoproduzidos na região Central da Cidade, os quais são lançados em uma área de refluxo de correntesárea esta onde proliferam-se as Baronesas, e a outra parte dos esgotos recebemapenas o tratamento de decantação dos sólidosantes de serem lançados em diversos pontos do Rio São Francisco.
Diante do expostoacredita-se que o problemanão são as Baronesas e sim o lançamento diretode esgotos domésticos nas águas do Rio São Francisco, os quais, diga-se de passagemestãosendo decantados dentro do próprio Rio, ou seja, onde tem Baronesas em cima da água é por que tem fezes decantadas embaixo delas, que assoreiam aquela área.
Este é um problema ambiental, social e atémesmo econômico que deve ser encarado pela Sociedade Civil e resolvido pelo Poder PúblicoPoder este, que ao contráriovem historicamenteatuando no fomento e incentivo do crescimentopopulacional e econômico da cidade de Petrolinasem prover a respectiva infraestrutura urbananecessária para suportar tais crescimentos e prestar serviços públicos de qualidade.
Todavia, as alternativas para mitigar ou solucionarproblema exige das autoridades públicas açõesde desenvolvimento urbano planejadasfundamentadas em técnicas comprovadamenteeficazes e com acompanhamento de profissionaisqualificados.
Contudoparece-me que por mais que tenha boas intenções, as autoridades públicas ainda nãoencontraram, ou se  encontraramainda nãoaplicaram as medidas mitigadoras e corretivasadequadasmuito pelo contráriovem realizandoum desmatamento mecanizado dos capins que protegem as margens do Rio São Francisco contra o assoreamento.
Até quando teremos que conviver com essasituação ? Quem irá encarar o real problema e resolvê-lo ? Até quando o Rio São Francisco aguentará tanta agressão ? Até quando a Sociedade Civil de Petrolina e região irá permitiresse modelo de crescimento insustentável ? Onde iremos chegar ?
Será que iremos nadar na merda ?