A
esperança de um povo não pode vir sem a determinação e a força de querer mudar,
assim como o agrupamento de pessoas não faz sentido se não for por sua união e
coletividade.
O
homem do sertão corre o risco de olhar para o céu, ver as estrelas e não
acreditar e nem ter esperança no amanhã. O homem trabalhador dessas caatingas
percebe seu calor, seu suor correr em vão... Suas forças estão indo embora
quando muitos labutam e nada têm. Mas tudo isso parece ter causa própria. Certa
vez ouvi dizer que o Nordeste funciona como uma grande fábrica de gente. Aqui
sempre tem mão de obra-barata, a vontade, quando quiser. Não é atoa que a
população do nordeste construiu São Paulo, Brasília e encheu de gente o Norte
do país. Tudo isto a custa de muitas vidas humanas, de muito sofrimento e de
muita dor.
Os
salvadores da pátria sempre estão reaparecendo para “vender” esperanças, para
prometer melhoras, mas na verdade tudo permanece o mesmo. O homem nordestino,
de grande em qualidades fica pequeno, humilhado, escondido e debaixo das asas
dos seus coronéis, afinal estes ainda lhe dão as sobras de uma sobrevivência.
A
vida, a esperança, a liberdade, o acreditar num dia melhor, a vontade de lutar,
são como as matas secas do sertão; quando a gente pensa que elas já estão
mortas, lá vem uma chuvazinha e tudo verdeja novamente de um modo exuberante.
O
povo desse lado, o povo nordestino, é como essa mata seca, aparentemente morta,
mas basta um pouco d’água para reacender as esperanças, fortalecer a todos e se
libertar da miséria.
Mas
de onde pode vir essa chuva? Essa chuva que estamos falando não vem do céu.
Essa chuva que estamos falando vem da consciência, da consciência de que todos
juntos, lutando por causas comuns, ficam mais fortes do que cada um lutando por
si; vem ainda da consciência de que não se pode mais manter o velho modo de
administrar o que é público, ou seja, as políticas corporativas, fisiológicas e
fraudulentas; da consciência de não precisar temer o novo, de arriscar a ser
livres.
A
consciência é lugar da chuva, é lugar das boas irrigações de idéias,
florescimento das ações que transformam a terra e os homens. A consciência da
condição de ser homem trabalhador pudendo fazer sua própria história é
semelhante ao rio caudaloso e cheio de vigor que impõem soberano suas águas as
margens e prossegue no seu destemido destino que é o encontro com águas
maiores.
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