domingo, 22 de novembro de 2015

O que é uma estrela sem esperança? O que é o fogo sem o seu calor? O que é um rio sem a força? O que é a terra se não for para plantar?


A esperança de um povo não pode vir sem a determinação e a força de querer mudar, assim como o agrupamento de pessoas não faz sentido se não for por sua união e coletividade.
O homem do sertão corre o risco de olhar para o céu, ver as estrelas e não acreditar e nem ter esperança no amanhã. O homem trabalhador dessas caatingas percebe seu calor, seu suor correr em vão... Suas forças estão indo embora quando muitos labutam e nada têm. Mas tudo isso parece ter causa própria. Certa vez ouvi dizer que o Nordeste funciona como uma grande fábrica de gente. Aqui sempre tem mão de obra-barata, a vontade, quando quiser. Não é atoa que a população do nordeste construiu São Paulo, Brasília e encheu de gente o Norte do país. Tudo isto a custa de muitas vidas humanas, de muito sofrimento e de muita dor.
Os salvadores da pátria sempre estão reaparecendo para “vender” esperanças, para prometer melhoras, mas na verdade tudo permanece o mesmo. O homem nordestino, de grande em qualidades fica pequeno, humilhado, escondido e debaixo das asas dos seus coronéis, afinal estes ainda lhe dão as sobras de uma sobrevivência.  
A vida, a esperança, a liberdade, o acreditar num dia melhor, a vontade de lutar, são como as matas secas do sertão; quando a gente pensa que elas já estão mortas, lá vem uma chuvazinha e tudo verdeja novamente de um modo exuberante.
O povo desse lado, o povo nordestino, é como essa mata seca, aparentemente morta, mas basta um pouco d’água para reacender as esperanças, fortalecer a todos e se libertar da miséria.
Mas de onde pode vir essa chuva? Essa chuva que estamos falando não vem do céu. Essa chuva que estamos falando vem da consciência, da consciência de que todos juntos, lutando por causas comuns, ficam mais fortes do que cada um lutando por si; vem ainda da consciência de que não se pode mais manter o velho modo de administrar o que é público, ou seja, as políticas corporativas, fisiológicas e fraudulentas; da consciência de não precisar temer o novo, de arriscar a ser livres. 
A consciência é lugar da chuva, é lugar das boas irrigações de idéias, florescimento das ações que transformam a terra e os homens. A consciência da condição de ser homem trabalhador pudendo fazer sua própria história é semelhante ao rio caudaloso e cheio de vigor que impõem soberano suas águas as margens e prossegue no seu destemido destino que é o encontro com águas maiores.

Marcelo Ribeiro.




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